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NICOLE PIOCHI

A mãe: rotina, corpo, casamento, trabalho · 25 de julho de 2026 · 3 min de leitura

Como achar tempo para você quando o dia não cabe

Não é questão de organizar melhor a agenda. Numa casa com terapia quase todo dia, o tempo realmente não sobra, e prometer uma hora diária só gera mais culpa. O que funciona é pequeno e protegido: blocos de dez minutos com hora marcada, uma coisa por semana que é só sua, e a decisão de não recuperar tarefa nesse espaço.

Quantos métodos de organização você já tentou?

Eu já tentei vários. E o que ninguém diz é que a maioria foi escrita para uma rotina que a nossa casa não tem. Quando existe terapia três vezes por semana, consulta, escola, recurso do convênio e uma crise que não pede licença, o problema não é a agenda estar bagunçada. É que ela está cheia de verdade.

Então vamos partir de uma premissa honesta: não vai sobrar tempo. O que dá para fazer é reservar.

Dez minutos valem mais que uma hora prometida

Uma hora por dia é um plano bonito que quebra na terça. E cada quebra vira uma prova a mais de que você não dá conta, o que é exatamente o contrário do que a gente precisa.

Dez minutos acontecem. Todo dia. Com hora marcada, como consulta.

E aqui vem a única regra que faz isso funcionar: nesses dez minutos você não recupera tarefa. Não é para responder mensagem, adiantar louça ou olhar o grupo da escola. Se virar tarefa, deixou de ser seu.

O tempo que já existe e você não está usando

Não é sobra, é tempo ocupado por espera:

  • A sala de espera da terapia. Quarenta minutos, toda semana, no mesmo lugar.
  • O trajeto de volta, se alguém dirige.
  • Os primeiros quinze minutos depois que todo mundo dorme, antes de a exaustão bater.

A sala de espera foi onde eu voltei a ler. Não por escolha romântica: era o único lugar onde ninguém me chamava.

Uma coisa por semana que é sua

Além dos dez minutos, uma coisa maior, uma vez por semana, que exista por prazer e não por função.

Não precisa ser grande. Precisa ser sua. Aqui foi a natação e, depois, a pintura. Eu tenho um cavalete em casa com uma tela sempre no meio.

Não é folga, porque folga quase não existe. É outro jeito de abrir a janela.

Combine, não avise

Diferença que muda tudo: avisar é informar que você vai sumir. Combinar é decidir junto quem cobre.

“Sábado das nove às dez eu vou nadar. Você fica com as meninas?” Isso é combinado. E combinado tem muito mais chance de sobreviver à semana do que intenção.

Se você cria sozinha, o combinado é com você mesma, e vale a mesma regra: escrito, com hora.

A culpa vai aparecer

Vai. Na primeira vez, principalmente.

O que me ajudou foi trocar a pergunta. Em vez de “eu mereço isso agora?”, que não tem resposta boa, eu passei a perguntar: “quem vai cuidar dela daqui a dez anos se eu me quebrar agora?”

Não é chantagem comigo mesma. É a conta real.

O que não funcionou aqui

Acordar mais cedo, quando eu já dormia mal. Só trocou cansaço por cansaço.

Aplicativo de rotina, que virou mais uma tela pedindo coisa.

Esperar o período calmo, porque ele nunca chegou. A vida atípica não tem entressafra: tem o que dá para fazer no meio dela.

Se hoje não der

Tem semana que não vai dar mesmo. Internação, crise, febre. Nessas, o plano inteiro sai do ar, e isso não apaga nada do que veio antes.

Você volta na semana seguinte. Sem começar de novo, só continuando.

Um dia de cada vez. ☀️


Este texto é relato e orientação parental. Se o cansaço estiver acompanhado de tristeza persistente, falta de vontade ou insônia, vale procurar um profissional de saúde mental.

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